segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Reduzindo a Pobreza e a Desigualdade no Brasil


BRYM, Robert J. e Outros. Sociologia: sua bússola para um novo mundo. São Paulo: Thomson Learning. Cap. 6    p. 206.

61: Política Social: O que você Acha?
Reduzindo a Pobreza e a Desigualdade no Brasil


Em janeiro de 2004, o Governo Federal im­plantou o maior e mais importante programa de transferência de renda da história do Brasil, o Bolsa-Família, com a finalidade de "com­bater a fome e a miséria e promover a emancipação das famílias mais pobres do país", isto é, reduzir a pobreza e a desigualdade. O Bolsa-Família unificou programas anteriormente existentes (Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação, Cartão-Alimentação e o Auxí-lio-Gás). Por meio desse programa, o Governo Fe­deral concede mensalmente benefícios em dinheiro para famílias em situação de pobreza com renda per capita de até R$ 100,00. Em 2004, o benefício bá­sico era de R$ 50,00 e podia ser acrescido de R$ 15,00 para cada filha ou filho matriculado na esco­la, para um máximo de três filhos. Para receber os benefícios, as famílias devem cumprir algumas con­dições básicas, como: realização de consultas pré-natal (para as mães gestantes), acompanhamento médico das crianças, comprovação mensal de fre­qüência à escola (para as crianças cujas famílias são beneficiadas). Essas condições básicas são denomi­nadas "condicionalidades". Isso significa que, para alcançar o objetivo almejado, não basta ao Esta­do garantir que o benefício chegue corretamen­te às mãos dos verdadeiros necessitados, é preciso também que o Estado seja capaz de oferecer saúde, educação e assistência social compatível com a de­manda que ele mesmo está induzindo ao estabele­cer aquelas condições. Para o Governo Federal, esse programa de transferência condicional de renda é a principal arma contra a pobreza e a desigualdade, pois, além de melhorar a renda da parcela mais po­bre da população, ele a insere entre os usuários dos serviços sociais básicos (Soares, 2004).
Esse tipo de política social, denominada "po­lítica focalizada", é direcionado a um grupo social específico — no caso, os pobres abaixo de uma deter­minada linha de pobreza. Os defensores desse tipo de intervenção afirmam que se o objetivo das políticas sociais for reduzir as desigualdades na distribuição da renda e da pobreza, então os programas sociais deve­riam ser criados para atender aos grupos mais pobres da população. Outros objetivos podem ainda ser con­siderados pelo Estado e, desse modo, outras políticas devem ser elaboradas. Uma vez definidas as priorida­des da política social, é preciso levar em consideração o volume de recursos disponível. Quanto mais universal for o sistema de políticas públicas (isto é, di­rigido para todos os cidadãos), menor será a parcela de recursos destinada aos grupos mais pobres da po­pulação. Do mesmo modo, quanto mais focalizados forem os gastos sociais do governo, quanto mais dire­cionados para os grupos de renda mais baixa, maior será o efeito desses gastos na redução do grau de desi­gualdade na distribuição de renda e na diminuição da pobreza no país (Camargo, 2003).
Os críticos das políticas focalizadas, defensores das chamadas "políticas sociais universalistas", argu­mentam que, para enfrentar o problema da pobre­za e da desigualdade no Brasil, é preciso considerar a complexidade dos fatores que levam à reprodução das desigualdades, mesmo nos períodos de crescimen­to econômico continuado (décadas de 1950 a 1970). Nesse sentido, eles enfatizam que o combate à pobre­za não pode ser o único objetivo da política social, pois combater a pobreza e reduzir a desigualdade pressupõe um projeto de inclusão social para toda a sociedade por meio de uma combinação de políticas de transfe­rência de renda com políticas de caráter estrutural.
Como realizar essa tarefa? Para que a política so­cial possa atuar como parte de uma efetiva estratégia de combate à pobreza e à desigualdade social, alguns autores e técnicos governamentais defendem que as políticas inclusivas (Previdência básica, Sistema Úni­co de Saúde - SUS, seguro-desemprego) e as políticas estruturantes ou estruturais (Programa de Reforma Agrária, Ensino Fundamental — Fundef, Programa de Merenda Escolar etc.) não podem ser simplesmen­te substituídas por programas de caráter emergen-cial que visam atender às situações de vulnerabilidade acarretadas pela pobreza. Essa substituição colocaria em risco o Estado de segurança social em construção no país. Para dar conta de uma política social que ar­ticule todas essas dimensões, faz-se necessário aumen­tar os recursos do Estado por meio de arrecadação de impostos (incluindo o combate à sonegação). Isso exi­ge a organização de um novo regime fiscal e tributário suficientemente eficaz para sustentar um projeto dis-tributivo de renda e de desenvolvimento econômico e social (Theodoro e Delgado, 2003).
Diante dos argumentos aqui apresentados (a) a favor da adoção de políticas públicas focalizadas e (b) favoráveis a políticas públicas universalistas no combate à pobreza e à redução das desigualdades, qual é a sua escolha?