BRYM, Robert J. e
Outros. Sociologia: sua bússola para um novo mundo. São Paulo: Thomson
Learning. Cap. 11 p. 389.
Política Social:
O que Você Acha? Família e Política de
Renda Mínima
O debate sobre o Programa de Garantia de Renda Mínima como
forma de combate à pobreza e à desigualdade no Brasil data de meados dos anos de 1970. A idéia de renda mínima pode ser
traduzida como uma complemen-taçlo da renda mensal àqueles indivíduos que têm
uma renda inferior ao salário-mínimo. Na década de 1990, esse debate tomou novo fôlego
a partir de um projeto de lei apresentado pelo então senador Eduardo Suplicy. O debate dos anos de
1990 deslocou a discussão da renda mínima per
capita para a renda familiar.
Como isso aconteceu? Qual é a relação
entre a família e as políticas públicas de renda mínima? A principal razão desse deslocamento encontra-se no fato de que a mario-ria das famílias com baixa renda é chefiada por homens ou mulheres que trabalham 40 horas semanais, possuem baixa qualificação e tendem a complementar a renda familiar com o trabalho dos filhos, tirando-os da escola (ou nem sequer
os matriculando) para que possam desde cedo colaborar no orçamento familiar.
Essas crianças, uma vez adultas, permanecerão desqualificadas para o mundo do trabalho, reproduzindo, desse modo, o ciclo de pobreza. Para romper esse ciclo, seria necessário garantir o complemento de renda à família
e, ao mesmo tempo, exigir que os filhos em idade escolar freqüentassem a escola. Desse modo, uma fonte de recursos extra seria garantida para
as famílias e as crianças teriam acesso à educação, o que possibilitaria melhor formação dos recursos humanos e incremento da produtividade futura para a economia (Fonseca, 2001: 105-6).
A lei aprovada no Congresso Nacional, em 1997, autorizou o apoio financeiro do Poder Executivo
a programas de garantia de renda mínima associados
a ações socioeducativas instituídas por municípios que não disponham de recursos financeiros suficientes para
financiar integralmente sua implementação.
A lei aprovada restringiu de modo drástico a idéia originalmente
prevista pelo senador Eduardo Suplicy.
Enquanto o projeto de lei inicial
previa o auxílio para todos os indivíduos, o novo projeto atinge apenas famílias
com renda per capita, inferior a meio salário-mínimo, com filhos ou
dependentes menores de 14 anos, freqüentando
a escola pública ou programas de educação especial. Mas nem todas as famílias brasileiras nessas
condições são contempladas, pois o auxílio
federal é
destinado apenas para os municípios que se enquadram em um dado "padrão de pobreza" e que desejam aderir ao programa. O valor da renda mínima,
por família, foi inicialmente calculado multiplicando-se R$ 15,00 pelo
número de filhos ou dependentes menores de 14 anos menos a metade da renda familiar per capita. Esse tipo de
cálculo beneficia as famílias corn maior número de filhos e deixa fora do programa, por exemplo, famílias monoparentais, com uma mãe e um filho, com renda
per capita igual ou inferior a R$ 34,00.
Diante dessa distorção, os que
defendem as políticas de renda mínima como forma de combate à pobreza apontam
a contradição básica existente entre a definição de família e o cálculo
estabelecido para o benefício: "Família é um grupo ligado por laços e parentesco
(consangüinidade e afetividade) vivendo sob o mesmo teto e se mantendo pela contribuição de seus membros (...)
no momento de calcular a renda familiar per capita, a
fórmula considera o total de componentes
da família (...) no cálculo do benefício, porém, considera exclusivamente o número de menores de 14 anos, e os demais membros deixam de existir"
(Fonseca, 2001: 117). Para aqueles contrários a
qualquer tipo de política de garantia de renda mínima, o programa do governo federal revela todas as
fragilidades desse tipo de política que levaria
os indivíduos a uma acomodação frente aos benefícios garantidos pelo Estado e
as famílias ao incremento da natalidade como forma de garantir a
manutenção de benefícios.
E você, como se
posiciona diante desse debate? As políticas de renda mínima são importantes para garantir
condições de vida mais dignas às famílias pobres, em especial àquelas que
vivem em situação
de risco como as famílias monoparentais? O Estado deve assegurar a essas famílias os
meios para que seus filhos possam se qualificar profissionalmente e romper o ciclo da pobreza? Ou
você considera que esse tipo de política
torna os indivíduos dependentes da ajuda estatal, não possibilitando a superação da pobreza?
Nenhum comentário:
Postar um comentário