BRYM, Robert J. e
Outros. Sociologia: sua bússola para um novo mundo. São Paulo: Thomson
Learning. Cap. 12 p. 420.
Política Social: O que Você Acha? A
inclusão da Autodeclaracão de Cor/Raça no Censo
Escolar
A inclusão do quesito cor/raça no Censo Escolar tem sido objeto
de debate acalorado. A seguir você conhecerá os argumentos favoráveis a essa política social e os
argumentos daqueles que questionam a
validade ou a maneira como as políticas de ação afirmativa vêm sendo
conduzidas. A Portaria n° 156, de 20 de
outubro de 2004, do Instituto
Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação, determinou que, a partir de 2005, fosse incluído o
quesito cor/raça de cada estudante no
Censo Escolar. Nesse senddo, as escolas foram orientadas a incluir em
suas fichas de matrícula a cor/raça dos estudantes, seguindo os critérios de definição adotados pelo IBGE: branca,
preta, parda, amarela e indígena. Esse dado
deve ser obtido mediante documento compro-batório, por autodeclaração do
aluno, quando maior de 16 anos, ou por
declaração do responsável. A justificativa
oferecida pelo governo federal é que a identificação da raça/cor dos alunos permitirá a criação de políticas afirmativas por parte das diferentes
esferas de governo. Segundo o Inep, a
inclusão desse item constitui uma demanda histórica dos movimentos sociais, assim como uma posição política
defendida pela Secretaria de Educação Contínua, Alfabetização e Diversidade do
Ministério da Educação (Secad).
De acordo com o presidente do Inep,
Elie-zer
Pacheco (2005), dados do IBGE referentes ao ano de 2003 mostram que "a discriminação
racial é um dos componentes
para a produtividade escolar". Considerando-se
o total de estudantes de 15 a
17 anos matriculados no sistema de
ensino brasileiro, observa-se que
pretos e pardos que não concluíram o ensino
fundamental somam 63,6%. Por outro lado, brancos e amarelos na mesma
situação representam 37,8%. Já na faixa etária de 18 a 24 anos, o percentual de pretos e pardos que não concluiu o ensino fundamental é de 44,3%, contra 23,1% de brancos e amarelos. Na concepção do governo Luiz Inácio Lula
da Silva, a plena realização da democracia requereria
a realização de políticas capazes de modificar o quadro de desigualdade
racial existente. Nesse
sentido, o Censo Escolar seria uma
ferramenta básica para o desenho
dessas políticas.
Dentre as principais críticas à
inclusão do item cor/raça no Censo Escolar, encontra-se a ênfase dada ao conceito de
raça no discurso governamental e no título dado ao Censo: "Mostre sua raça e declare sua
cor". Salienta-se as conseqüências negavas da inclusão do conceito "raça"
no ambiente educacional. Para
Lília Schwarcz e Marcos Chor Maio (2005),
utilizar o conceito de raça seria racializar as políticas públicas, o
que, além de constituir um processo
ineficiente para o combate à pobreza e à desigualdade, representaria um retrocesso na luta contra o racismo, dada a relação estreita existente
entre este e o conceito de raça (ver
o Capítulo 7, "Raça e Etnicidade").
O antropólogo Peter Fry radicaliza essa análise, acrescentando dois argumentos.
Em primeiro lugar, a adoção de políticas afirmativas de caráter racializado
representa a continuidade de uma política
colonial, ou seja, a subserviência às exigências de organizações internacionais (Fry, 2005a). Em segundo
lugar, a defesa da diversidade no discurso oficial s falaciosa porque, na prática, levaria a uma
celebração das raças ou etnias. Para
o autor, embora o Conselho Nacional
de Educação reconheça que raça é uma construção social, acaba naturalizando o
conceito na medida em que nega a miscigenação e a mistura cultural e percebe a sociedade brasileira como
"composta de 'raças' e 'grupos
étnicos' estanques, cada qual com sua cultura" (Fry, 2005b).
E você, o que pensa a respeito da inclusão
do quesito cor/raça no Censo Escolar? O
Censo Escolar, como instrumento
básico para elaboração de políticas públicas,
poderia abrir mão dessas informações?
As políticas educacionais universalistas são capazes de enfrentar a desigualdade racial? A inclusão desse quesito
revelaria uma política deliberada de racialização das políticas públicas e, em
última análise, da sociedade? Você
acha que essa medida poderia representar uma ameaça de estereótipo?
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