sábado, 9 de fevereiro de 2013

O Censo no Brasil


BRYM, Robert J. e Outros. Sociologia: sua bússola para um novo mundo. São Paulo: Thomson Learning. Cap. 1    p. 57.

2.1: Política Social: O que você Acha? O Censo no Brasil

A contagem da população brasileira e de suas características não é uma tarefa simples nem barata; pois envolve milhões de indivíduos que se encontram em situações distintas e em cons­tante movimento. Por exemplo, muitas pessoas po­dem residir em locais ermos, de difícil acesso, ou estar viajando no momento da contagem. Além disso, existe o problema do treinamento dos recenseadores para o preenchimento correto dos ques­tionários, da disponibilidade dos entrevistados em responder as questões etc.
Pode-se perguntar o porquê do envolvimen­to de tantos recursos materiais e humanos nessa contagem. Por que necessitamos saber quantos brasileiros existem? O Censo é importante por­que muitas decisões relevantes são tomadas basea­das em dados populacionais. Pense, por exemplo, no cálculo do número de deputados nas Câmaras de Deputados Federal e Estadual e o de vereadores nas Câmaras Municipais. Ou, ainda, a repartição dos recursos financeiros que cada estado e municí­pio recebe do governo federal. Os diferentes níveis da administração pública necessitam das informa­ções do Censo. Dessa forma, se não se conta os números da população real de uma determinada área, isso pode se constituir em sério prejuízo na distribuição de recursos para as pessoas que vivem no local. O tamanho da população é crucial para a tomada de uma série de decisões relativas às políti­cas econômicas, administrativas e sociais.
Os Censos também são de enorme impor­tância por fornecerem elementos para o enfrenta-mento de um sem-número de problemas sociais como, por exemplo, a questão da educação. Por não se tratar apenas da contagem das pessoas, mas, também, de suas características — sexo, ida­de, posição na família, educação, cor, situação ocupacional, entre outras —, o conhecimento e a análise dessas características e da relação entre elas orientam as decisões a serem tomadas. Podemos pensar, como exemplos, problemas de discrimina­ção e de exclusão social, como é o caso dos liga­dos à população negra e às mulheres. Em ambas as situações, é fácil comprovar as desigualdades de renda e de acesso a melhores posições no mercado de trabalho por meio dos dados do Censo. O ta­manho das populações-alvo de diversos programas sociais — tais como saúde educação e assistência

social — pode ser estabelecido com mais seguran­ça por meio dos dados censitários.
Desde 1960, o Censo brasileiro vem utilizan­do a amostragem probabilística. Isso permite a am­pliação e o aprofundamento das informações a serem coletadas. Dois modelos de instrumentos de coleta são aplicados: um questionário básico, simplificado, e um questionário da amostra, mais extenso e comple­xo, sobre as condições de vida local, aplicado a amos­tras de 20% e 10% dos domicílios, dependendo do tamanho da população municipal estimada, abai­xo ou acima de 15 mil habitantes, respectivamente. No Censo de 2000, foram recenseados cerca de 42 milhões de domicílios, localizados em 5.507 muni­cípios. Os dados censitários, hoje, têm validade não apenas para a totalidade da população do país, mas podem ser desagregados até o nível de bairros.
Trata-se, como se vê, de uma operação com­plexa e de larga escala, envolvendo problemas de pla­nejamento e execução. Nos últimos anos, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) tem estimulado a participação da sociedade nas discus­sões, inclusive na reformulação do questionário. Também tem feito esforços no sentido de aumen­tar as possibilidades de comparação internacional dos dados. Os sociólogos têm muito a dizer sobre o assunto, que interessa à comunidade acadêmica e técnico-científica em seus projetos de estudo e ação prática. Organizações sociais e científicas têm par­ticipado das discussões, seja a respeito de questões técnicas, como a elaboração dos questionários, seja a respeito de questões de política social, como é o caso da inclusão da deficiência física na enumera­ção censitária.
Em sua opinião, que grupos de pessoas são mais suscetíveis a não serem atingidos pela contagem do Censo? Se você fosse o presidente do IBGE, que pas­sos daria para garantir uma contagem mais exata da população? Você acha que as características dos recenseadores no campo, tais como classe social, raça e etnicidade, afetam a contagem do Censo? Se for o caso, como? O que você acha do uso dos dois tipos de questionários no Censo, combinando a contagem completa para certos dados básicos e a amostragem para o aprofundamento e a ampliação das informa­ções coletadas? A amostragem introduz mais risco de manipulação política do que a contagem com­pleta? Que outras questões você levantaria?



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