BRYM, Robert J. e
Outros. Sociologia: sua bússola para um novo mundo. São Paulo: Thomson
Learning. Cap. 9 p. 304.
Política Social: O que você Acha? Programa Primeiro Emprego:
uma Política Social Eficaz?
Na década de 1990, a taxa de desemprego aumentou
acentuadamente e a redução da oferta de postos de trabalho não acompanhou o crescimento da
população economicamente ativa (PEA). Além disso, elevaram-se as exigências para contratação, o
que dificultou a inserção no mercado
de trabalho daqueles que não tinham escolaridade
média e, mais ainda, para quem não tinha completado o ensino fundamental. Os jovens parecem ter sido os mais
atingidos nesse processo. Entre 1995
e 2001, a
taxa de desemprego geral subiu de
6,1% para 9,3%. Nesse mesmo período, para jovens entre 16 e 24 anos, a taxa passou de 11,3% para 17,8%. O contingente de jovens desocupados em 2001
totalizou 3,4 milhões de pessoas, o que representava
44% da PEA desocupada nacional. Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos jovens dizia respeito à
exigência de experiência prévia, criando um
círculo vicioso no qual a falta de* experiência dificultava a obtenção
de trabalho, o que, por sua vez, dificultava o acúmulo de experiência.
Diante desse quadro, o
governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva lançou em 2003 o Programa
Primeiro Emprego com a meta de gerar três milhões de novos empregos e combater o desemprego juvenil
(jovens entre 16 e 24 anos). Para tanto, o projeto
incentiva as empresas a contratar jovens, sem experiência profissional, recebendo em troca incentivos, tais
como isenção fiscal. Por outro lado, para evitar
que as empresas adotem o critério de substituição de mão-de-obra, contratando
jovens e demitindo trabalhadores
adultos, os incentivos devem ser destinados
apenas às empresas que não tenham reduzido
postos de trabalho nos meses anteriores à habilitação e que assumam o compromisso de manter o mesmo número de
empregados existente quando da habilitação do programa.
Os defensores do Programa Primeiro Emprego argumentam que, sem uma política dirigida ao trabalho juvenil, uma grande parcela da população jovem
permaneceria sendo absorvida pelo mercado de
trabalho informal precarizado, com grande prejuízo para sua inserção
posterior no mercado de trabalho formal,
pois, trabalhando sem carteira assinada, o jovem não tem como comprovar
a experiência anterior. A inserção no
mercado de trabalho informal e
precário, aliada à probabilidade crescente de desemprego, tende a afetar de modo perverso e per-
manente a
capacidade produtiva dos jovens. Esses fatores
combinados colocam a maioria dos jovens brasileiros em uma situação de
vulnerabilidade social, sujeitos ao ingresso na criminalidade, na prostituição e em outros processos de degradação social
e humana. No médio prazo, o
agravamento dessa situação colocaria
em risco a estabilidade social e o progresso econômico do país. Daí a
necessidade imediata de intervenção direta
do Estado, compondo um quadro mais
amplo de políticas sociais que integrem
educação, formação profissional, geração de emprego e renda (Todeschini, 2003).
Para os críticos do Programa Primeiro
Emprego, o sucesso do
programa dependeria da adoção de políticas
diferenciadas para os diferentes segmentos que formam a juventude brasileira. Assim, para investir no segmento
de jovens que não trabalham, não estudam e não procuram emprego, seria necessário elaborar uma política complexa de inclusão
social que exigiria altos
investimentos por parte do governo e, provavelmente, recursos
internacionais. Uma solução diferenciada deveria ser dada àqueles que procuram emprego e estudam: para esse grupo, alguns estudiosos propõem o estágio em lugar do Primeiro Emprego. Há ainda o segmento dos jovens
que não estudam e procuram emprego, para os quais deveria ser viabilizado um programa de formação
profissional visando à integração com o mercado
de trabalho. Trata-se de um grande desafio para o Estado organizar e colocar em prática tais políticas (Rios-Neto, 2003). Finalmente, uma das críticas
mais graves formuladas ao Programa Primeiro Emprego
está na base de sua formulação: se, para se habilitar, as empresas devem
se comprometer a não demitir, elas
provavelmente não irão correr esse risco. Isso explicaria, em parte, o
fracasso do plano em relação ao
não-cumprimento da meta programada.
Diante dessas posições contraditórias,
permanece a questão de como incentivar a
contratação de jovens sem
experiência sem a criação de novos postos de trabalho. Como você se posiciona
nesse debate? Ê válida a elaboração
de uma política de primeiro emprego
para os jovens? Como incluir de modo responsável no mercado de trabalho essa
população sujeita ao trabalho
precário, mal remunerado, bem como
aos riscos de marginalização social?
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